terça-feira, 22 de junho de 2010

O que será sem mim?

Como pode o mundo existir sem mim?
O que será de tudo depois que eu morrer?
Minhas idéias vão para onde?
Não consigo imaginar-me sem existir.
Será que nunca existiu antes e nunca vai existir depois?
Seria tudo invenção a meu redor?
Será que eu existo?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Da época dos drs da Alegria

Tenho muitas crônicas da minha época de doutor da alegria. São muitas histórias divertidas, outras nem tanto. Acabo de publicar uma dessas histórias. Às vezes sinto saudades.
http://www.itu.com.br/colunistas/artigo.asp?cod_conteudo=23577&adm=1

terça-feira, 15 de junho de 2010

Os ombros suportam o mundo

A primeira vez que li esse poesia do Drummond, há uns trinta anos, fiquei muito tocado quando o poeta diz que o mundo não pesa mais do que a mão de uma criança. Durante muito tempo esse foi meu vínculo com essa poesia. A ideia da possibilidade da leveza diante da vida.
Outro dia reli a poesia para reencontrar a tal leveza e o que impactou-me mais foi a imagem dos olhos enormes que resplandecem na escuridão, todo certeza.
Mais do que leve o poeta ficou transparente. Nada mais o atinge.
Mas afinal, o que é a vida e o que é mistificação? Como distinguir uma coisa da outra?
Será que a poesia é mistificação?
Se for eu estou frito. Frito mas livre da mistificação. Só frito e pronto.
As coisas são como elas são. Mas como são?
Tenho receio que só sobre a mistificação, nada mais. Armadilha pós-moderna.
Melhor viver do que pensar.




Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teu ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pátria assada

Sinto-me exilado no mundo. Um intruso.
Não fossem as cozinhas diria que sou um apátrida.
Desde pequeno, lugar nenhum me acolhe tão bem quanto uma cozinha.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Um alento

Um palpite certo,
Um passe milagroso,
Uma coincidência,
A sorte,
O azar,
Ler A Morte de Ivan Ilitch,
A falta absoluta de explicação.

domingo, 6 de junho de 2010

O maior perdão da paroquia

Eu matei, seu padre!


O padre sorriu. Via na fisionomia comportada do pequeno Pedro a impossibilidade de um ato tão brutal, mas não conteve a sua teatral curiosidade:

- Você meu filho, matou alguém?

- Matei padre, mas estou arrependido.

Pedrinho sentiu-se orgulhoso, notou a perplexidade do padre José.

Para saber o desfecho dessa história curtinha:
http://www.itu.com.br/colunistas/artigo.asp?cod_conteudo=22865&adm=1