quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Espelho meu, existe alguém mais feio do que eu?



















Existem informações que estão disponíveis o tempo todo, mas ajo como se não as visse. Me envergonho mas não o suficiente para mudar minha atitude.
Um; dois; três; quatro; cinco.A cada cinco segundos uma criança morre de fome no mundo.
Quando não há o que comer, o corpo entra em um ciclo vicioso: a falta de alimento gera falta de energia e fadiga. Ao perder as forças a pessoa perde a vontade de comer, deixa de se mexer e até de falar. Seu estômago atrofia o que faz com que os mecanismos reguladores da fome deixem de funcionar, por isso crianças desnutridas acabam ficando desidratadas. A pele ressecada se abre em feridas que irão infeccionar, o músculo atrofiado dói a qualquer movimento e o tubo digestivo é atacado por fungos, fazendo com que engolir se torne impossível. Sem receber os nutrientes necessários para manter as funções vitais como respiração e batimentos cardíacos, o corpo busca energia na reserva de gordura e nos músculos e modifica suas funções, como o equilíbrio celular. A pessoa tem seus traços emaciados e seus músculos atrofiados. Os cabelos se tornam brancos ou avermelhados.
Agora mesmo cerca de um bilhão de pessoas estão sentindo tudo isso que acabei de falar apesar de a indústria alimentícia produzir alimentos suficientes para abastecer uma vez e meia a população da Terra.
Que coragem é essa que me falta? Até quando serei tão cruel e indiferente ao sofrimento do próximo? Se visse meu filho com fome eu seria capaz das maiores grandezas, sacrifícios e loucuras, como são os filhos dos meus irmãos eu lhes ofereço minha solene indiferença e os entrego aos urubus. E ainda tem gente que não acredita no demônio. É que eles ainda não me conheceram.







segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Um crime sem pena de 29/11 a 04/12

Acompanhe o que aconteceu na primeira novela via twitter durante a semana passada:

04/12 C 18- O delegado PH recebe Ivo na porta da delegacia. Sorridente indaga: vc acha q algum inquilino inadimplente gostaria de ver Ana morta

03/12 C 17-Ivo acolhe Ida.Dizem no bairro q a morte de Ana foi criminosa, provavelmnte algum inquilino perdulário.Ivo irá depor na manhã seguinte

02/12 C16 - Ida conta onde esteve p/ 15 dias e desculpa-se p/ sumiço. Ivo a abraça e chora. Ida visitou seu irmão + velho mas foi mandada de volta

01/12 C 15 - Ivo deve comparecer à delegacia p/ depor. Suas ideias estão em rebuliço. Ida, doente e chorando, toca a campainha. Ivo a faz entrar.

30/11 C 14 - Investigações preliminares indicam q houve envenenamento, resta saber se foi criminoso ou acidental. Chega um aintimação para Ivo.

29/11 C 13 - Uma filha de Ana avisa, via fone, q a velha foi encontrada morta em seu apê. Há suspeita de envenenamento. Ivo pergunta s/ o enterro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Subvertendo protocolos



Às vezes fico pensando como seria a vida se rompêssemos certas regras pré –estabelecidas. Nem falo de revolução, povo em armas ou guerrilha urbana. Penso no pequeno. Se, por exemplo, respondêssemos de verdade quando nos saúdam com a formalidade de sempre: Oi, como vai? Tudo certo? Se tomássemos essa pergunta como um desejo real de tomar pé da vida do outro eu convidaria meu amigo (?) a sentar-se e lhe diria:


Mudei-me para o interior e só fiz confirmar meu aprendizado de quando tinha vinte e um anos: mudanças trazem bem aventurança. O movimento da mudança, nem importa muito a direção, já revitaliza,oferece novas perspectivas para antigos enquadramentos, sugere possibilidades, confessa preferências esquecidas. Mantém o disco rodando, evita acomodamento. E com os inevitaveis medos e desconfianças a gente aprende a lidar e até que começa a gostar do frisson que causam.

Coincidência ou não a volta ao interior tem duplo sentido. Tenho tempo de conversar com minha companheira mesmo quando não temos assunto. A falta dele traz as bobagens, as tolices e de repente alguém se lembra: Ah, queria te falar uma coisa! Ficamos tanto tempo nesse namoro besta, rindo baixinho para não acordar o Léo, vendo estrela cadente e tirando par ou impar para ver quem vai buscar o suco de goiaba e quando nos damos conta já passamos da hora de dormir faz tempo.

Sem falar da rotina de algazarra do Leó que chega da escola e ja vai pedalar na rua sem medo de ser atropelado e das visitas que, sem nos avisar, ele faz às casas dos amiguinhos e deixa a gente procurando por ele, tocando campainha e recebendo consolo de mães solidárias: Ai, o meu também, vive sumindo.

Acho que agora eu sou isso, um homem do interior.

Parece que agora tenho tempo para decantar-me. Provavelmente depois será bom chacoalhar de novo para misturar tudo outra vez mas aí já estou indo rápido demais, vício antigo sendo diluído em gotas homeopáticas de vida nova.

Toda vez que me sentava em minha cabina, ajeitava minha bagagem e ficava olhando pela janela do trem via aquela cidade desconhecida que já tinha virado familiar sumindo para sabe-se lá quando, provavelmente nunca mais, eu sorria certo das novidades que encontraria em meu próximo destino e mais tarde abandonaria como agora abandonava aquela. Mudar é bom. Eu só tinha vinte e um anos e fiquei marcado para sempre, isso não muda mais e gosto que não mude. É a tal exceção à regra.

Sinto-me como quando uma criança que depois de ficar muito tempo com a cabeça para fora do carro resolve se sentar novamente para curtir a viagem de outra forma. A diferença é que não fico mais perguntando se falta muito para chegar pois já descobri que nunca chegaremos.

E você, como vai?





segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Um crime sem pena, o primeiro folhetim via twitter

Segue os capítulos da semana que passou.

27/11 C 12 - Perambula p/ madrugada atrás de Ida. Ninguém sabe da menina. Quase amanhecendo retorna ao seu apê. Lá recebe uma notícia assombrosa


26/11 C 11- Ivo procura Ida e ñ a encontra. Percebe q o apê foi revirado. Preocupado c/ o estado precário da saúde de Ida vai a rua p/ procurá-la.

25/11 C10 - Ivo caminha apressado de volta à sua casa. As mãos suam frias. A respiração ofegante. Assusta ao encontrar a porta do seu apê aberta

24/11 C9 - Ivo se assusta com a campainha, corre até a cozinha e tenta abrir a porta de serviço. Tocam de novo. Ivo foge pela escada dos fundos.

23/11 C8 - Ida acorda no apê de Ivo. Furta um relógio e 2 camisetas. Parte antes q Ivo volte. Ainda doente retorna ao farol onde conheceu Ivo.

22/11 C7 - Ivo revira o apê. Passa 10 minutos na cozinha e descobre uma caixinha cheia de $ no armário da velha. Alguém toca a campainha, de novo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Tem conto novo

Acabo de postar um novo conto.
Chama-se "Um caso de corporativismo. Um caso"
Abaixo segue um "tira-gosto":

"Seu Renato, sempre vestido impecavelmente, era um homem metódico. Um homem metódico. Marido exemplar. Era comentário geral a elegância de seu Renato. Poucos sabem colocar a camisa por dentro da calça como ele. Um perito. Sempre bem passadas. Perito. Um perito. Nenhum vinco fora de lugar. Mantinha como um tesouro a sua coleção de camisas. Todas beges. Beges.
Há meses uma coisa o intrigava: ao descer as escadas que o conduziam à calçada topava, cotidianamente, com um estranho prato de plástico preto com água pela metade. Parecia provocação de alguém. Provocação de alguém. O prato, mesmo depois de ser esvaziado e recolocado em seu devido lugar, amanhecia obstruindo o caminho do síndico, sempre com água pela metade. Com água pela metade.
As coisas estavam ficando insuportáveis a ponto de seu Renato convocar uma reunião com todos os funcionários do condomínio. Insuportáveis."
 Quer continuar? Esse conto está disponível na coluna "contos", abaixo, à direita.
Boa leitura.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nomes proféticos







Cada vez mais acredito menos em coincidências, o que sei, não significa nada. Escrevo isso só para tentar justificar uma brincadeira que fiz. Fiquei imaginando em que medida somos o que somos em função de nosso nome. Afinal nosso nome é nossa identificação máxima. Quando recebemos cartas, quando procuramos nosso nome numa lista ou assinamos um cheque o desenho do nosso nome é a coisa mais familiar do mundo, deixa de ser um conjunto de letras associadas segundo regras fonéticas para ser uma coisa só, um símbolo de nós mesmos.
Dando corda a esse devaneio brinquei de decifrador de destinos a partir unicamente dos nomes das pessoas. Se der certo posso até abrir uma tendinha lá na Matriz. A quem interessar, basta enviar-me seu nome que direi seu destino. Abaixo segue uma lista de clientes satisfeitos.
Iris é oculista;
Amado ganhou mais um fã clube;
Flora estuda botânica;
Eugênio sempre foi um narcisista;
Lindomar entrou para a marinha;
Caio levou um tombo;
Glória sagrou-se campeã;
Margarida, Hortência e Rosa têm uma floricultura;
Omar mudou-se para o litoral;
Eudes publicou uma autobiografia;
Caim chutou um cachorro;
Aguiar é motorista;
Mercedes é linda, uma máquina;
Serena dá cursos de meditação;
Jurema adora ervilha
e eu agradeço tua leitura.